CDB ou Tesouro Direto? Qual Escolher

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Uma dúvida muito comum entre aqueles que querem investir em renda fixa é em relação a modalidade de investimento a escolher: CDB ou Tesouro Direto. Quem se pergunta qual dos dois é melhor geralmente está preocupado apenas com a rentabilidade, contudo, o investimento mais rentável nem sempre é o mais adequado para cada pessoa. Neste artigo farei uma comparação entre esses dois investimentos para lhe ajudar a descobrir qual dos dois é melhor para o seu perfil de investidor. Espero que goste do conteúdo!

Porque CDB ou Tesouro Direto

No Brasil a modalidade mais popular de investimento são os fundos de renda fixa, como os fundos referenciados DI, por exemplo. Não considero os fundos como uma boa opção de investimentos pois a taxa administração pode chegar em alguns casos até 2% ao ano.

Outra opção de investimento em renda fixa seriam as LCIs e LCAs, contudo, também elas não me parecem uma boa alternativa pois estas geralmente exigem um aporte inicial elevado, tornando-se uma opção inviável para o pequeno investidor. Logo, sobram basicamente duas opções de investimentos para o pequeno investidor individual: os CDB (Certificados de Depósito Bancário) ou Tesouro Direto – programa de compra de títulos públicos federais, e é sobre essas duas opções que iremos falar a partir de agora.

O Que é um CDB?

Já escrevi uma série de artigos falando e explicando passo-a-passo como investir no Tesouro Direto, inclusive falei sobre a possibilidade de  obter ganhos de até 20% ao ano nesta modalidade de investimento através de movimentos especulativos. Não escrevi nada, no entanto, sobre o CDB. Pois vejamos.

O CDB (Certificado de Depósito Bancário) é um título de renda fixa emito por instituições financeiras, ao contrário dos títulos do Tesouro Direto que são emitidos pelo governo. Da mesma forma que o Tesouro Direto o CDB é um empréstimo que o investidor concede, só que em vez de financiar gastos públicos ele será usado para outas funções, como para empréstimos aos clientes de um banco, por exemplo.

Em geral a rentabilidade do CDB é dada pelo CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que é a taxa pela qual os bancos fazem empréstimos entre si. O CDI, por sua vez, costuma ter um desempenho semelhante a variação da taxa básica de juros da economia. Atualmente a Selic está em 11,15% ao ano, enquanto que o CDI está em 11,13% ao ano. Se compararmos a taxa mensalizada, conforme o gráfico abaixo, podemos observar a diferença entre o desempenho do CDI e da taxa Selic é praticamente imperceptível. Dessa forma, iremos considerar que ambos são equivalentes de agora em diante.

Gráfico Meta Selix x Taxa CDI

Vale notar que um CDB nem sempre irá render o mesmo que o CDI, pois a rentabilidade do CDB é dada em termos percentuais do CDI. Assim, há CDBs que rendem apenas 80% do CDI, enquanto outros podem render 105%, por exemplo. Seguindo a premissa de que o CDI é igual a taxa Selic, um CDB que rende 100% do CDI terá rentabilidade igual ao Tesouro Selic (título do Tesouro Direto atrelado a taxa Selic).

Vale destacar que existem também CDBs prefixados ou indexados ao IPCA, assim como os títulos do Tesouro Direto. No entanto, a grande maioria deles é indexada ao CDI, de modo que não abordaremos esses outros títulos neste artigo.

Agora que você já sabe o que é um CDB está na hora de compará-lo com o Tesouro Direto para descobrir qual deles é a melhor opção. Vamos começar analisando o risco desses dois investimentos.

Riscos

O CDB tem como risco a possível falta de liquidez e solidez financeira do banco emissor, isto é, existe a possibilidade de o investidor levar calote. Obviamente esse risco é maior nos bancos menores do que no caso dos grandes bancos, que geralmente também ofertam taxas percentuais do CDI menores. Nesses casos a regra é sempre a mesma: quanto maior o risco, maior o retorno.

Contudo, o CDB também tem garantia de até R$ 250 mil do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), o que significa que se você tem até este limite aplicado você terá a garantia de ressarcimento em caso de quebra do banco. É claro que nesse caso isso não vai acontecer sem antes passar por todo um processo burocrático para reaver o dinheiro, que certamente deve levar alguns meses. Este é, portanto, um risco real que deve ser levado em conta ao optar pelo CBD. A quebra do banco poderá comprometer seus objetivos financeiros enquanto você aguarda o ressarcimento ou até mesmo pode perder seu dinheiro caso o valor aplicado seja superior a R$250 mil em uma mesma instituição financeira.

Já no caso do Tesouro Direto o risco é praticamente inexistente uma vez que o investimento em títulos públicos é considerado o de menor risco da economia, pois tem garantia do Tesouro Nacional. A garantia nesse caso é completa, isto é, sem limite como no caso do FGC. Veja que a caderneta de poupança também tem cobertura pelo FGC, de modo que o Tesouro Direto é, sob este ponto de vista, mais seguro até mesmo que a Poupança, ou qualquer outro investimento que você pode imaginar.

Liquidez

Outro ponto crucial que deve ser levado em conta é a liquidez dos investimentos. No caso dos CDBs eles costumam ser resgatáveis apenas na data de vencimento do título, contudo, alguns deles têm liquidez diária. Se houver carência (sem resgate antecipado) esta obviamente estará acompanhada de uma rentabilidade maior. Isto é, quanto maior for o prazo maior será o percentual do CDI que o investimento irá render durante o período.

Já no caso do Tesouro Direto a liquidez é sempre diária. Isto é, você pode resgatar o dinheiro a qualquer momento, o que não exclui o risco de obter rentabilidade negativa caso opte por um título que não seja o Tesouro Selic (LFT). Assim, se você não possui um colchão de segurança com investimentos de alta liquidez, investir em um CDB com um prazo de 1 ano, por exemplo, não seria alto inteligente a se fazer. Nesse caso vale mais a pena optar por um CDB de liquidez diária (ou pelo Tesouro Direto), mesmo que isso possa significar uma rentabilidade menor.

Rentabilidade

É muito difícil dizer qual investimento tem a maior rentabilidade pois isso irá depender das condições oferecidas por cada instituição financeira, do prazo de investimento sem liquidez e do volume financeiro aplicado. Isto é, um CDB será ofertado com uma taxa percentual maior do CDI conforme:

  • Maior for o prazo (sem liquidez diária / resgate antecipado)
  • Maior for o aporte inicial exigido
  • Maior for o risco da instituição financeira emissora

No entanto, se um CDB estiver sendo ofertado com uma rentabilidade abaixo de 100% do CDI ele estará pagando menos que a taxa Selic, de modo que o Tesouro Selic será sempre mais vantajoso neste caso. Vale destacar também que, ao contrário dos CDBs, o Tesouro Direto permite obter rentabilidades maiores através da especulação com títulos públicos, que pode ser realizada devido a possibilidade de venda antecipada dos títulos prefixados e atrelados ao IPCA.

Aportes

Um grande problema no caso do CBDs é a impossibilidade de realizar novos aportes, uma vez que o valor mínimo para conseguir uma boa rentabilidade costuma ser relativamente alto, na casa dos R$ 30 mil. Desse modo, o investidor que queira fazer aportes mensais terá que se contentar com uma rentabilidade mais baixa.

Já no caso do Tesouro Direto é possível aplicar, em teoria, valores a partir de R$30, tornando-se assim a opção mais atrativa para o pequeno investidor. Na prática o valor mínimo para Tesouro Selic (LFT) é atualmente cerca de R$88.

Custos

O CDB é um investimento líquido de custos atrelados. No entanto, na prática o custo do investimento vem embutido na forma de spread bancário, de modo que não há como saber quanto você está pagando de taxas para o banco emissor. Já no caso do Tesouro Direto existe a taxa de custódia de 0,3% sobre o volume aplicado que é cobrado pela BM&FBovespa anualmente. Além disso, as corretoras podem cobrar uma taxa de administração de geralmente varia de 0% a 0,50% ao ano.

Tributação

A cobrança de impostos é a mesma para ambos os investimentos, bem como todos os outros investimentos de renda fixa. O imposto é retido na fonte no momento do resgate e se dá conforme a tabela regressiva abaixo. No caso de resgate em menos de 30 dias também há a cobrança de IOF.Tabela IR Renda Fixa

Conclusão

Quando comparamos o investimento em CDB com o Tesouro Direto fica claro que o segundo leva vantagem em vários aspectos, seja pelo menor risco, pela liquidez diária, pela possibilidade de realizar novos aportes ou pela rentabilidade maior.

Se falarmos dos CDBs dos grandes bancos então é quase certo que este é sinônimo de péssimo investimento, uma vez que estes geralmente pagam bem menos do que 100% do CDI. Por isso tudo, eu recomendo que você aprenda a investir no Tesouro Direto, visto que ele é um investimento seguro, acessível e mais rentável que a maioria dos CDB disponíveis.

Esperto que tenha gostado do artigo. Se tiver ficado com alguma dúvida ou quiser fazer uma crítica é só deixar um comentário aqui embaixo.

(crédito das imagens: shutterstock.com)

  • Excelente artigo, o tesouro direto apresenta inúmeras vantagens em relação ao CDB.