Conhecendo a Renda Fixa #1 – Certificado de Depósito Bancário (CDB)

Tempo de leitura: 8 minutos

Tenho percebido que existe uma infinidade de opções de investimento em renda fixa. São tantas opções que podem deixar as pessoas confusas, por isso, decidi fazer uma série de artigos falando sobre os diferentes tipos de investimento de renda fixa, começando hoje pelo CDB, o Certificado de Depósito Bancário.

É muito provável que você já tenha pedido um empréstimo no banco, ou pelo menos conheça alguém que já tenha feito, mas você sabia que você também pode emprestar dinheiro para o seu banco? Isso mesmo, o CDB não é nada mais do que um empréstimo que você faz ao seu banco em troca de juros referentes ao período que o dinheiro ficará com o banco.

Neste artigo eu vou lhe explicar como funciona o CDB, como ele é remunerado, quais são os seus riscos, e quais os impostos que devem ser pagos. Vou explicar ainda para quem ele é recomendo e passar algumas dicas incríveis para conseguir rentabilidades mais altas com ele. Vamos lá!

Entendendo o CDB

Entendendo o CDB

O CDB é simplesmente um título emitido por um banco para captar dinheiro. Como eu já disse, ele é uma espécie de empréstimo às avessas: você empresta dinheiro ao banco e ele irá devolvê-lo acrescido de juros. O CDB é, portanto um título de crédito privado, sendo que existem também os títulos públicos, como títulos públicos do Tesouro Direto, por exemplo.

Existem basicamente dois tipos de CDB, os pré-fixados e os pós-fixados:

Pré-Fixados

Ao investir em um CDB pré-fixado você sabe exatamente quanto irá receber na data de vencimento do título, uma vez que a taxa de juros que será utilizada para remunerá-lo é combinada previamente. Se a taxa for de 10% ao ano, por exemplo, você já sabe que se depositar R$1.000, ir receber R$1.100 depois de um ano. Quem não gosta de correr nenhum risco deve investir nos CDBs pré-fixados, pois já sabe quanto irá receber. Se houver um aumento nas taxas de juros, porém, o resgate antecipado do título pode ser desvantajoso.

Pós-Fixados

No caso dos títulos pós-fixados você não sabe exatamente quanto irá receber na data de vencimento, uma vez que a rentabilidade varia de acordo com um índice. No caso do CDB o índice que é geralmente utilizado é o CDI, porém nem todos os bancos oferecem a mesma rentabilidade nos títulos pós-fixados.

A taxa de juros é expressa em um percentual do CDI, por exemplo, “97% do CDI”. Se o percentual do CDI for de 100%, por exemplo, e o CDI render 10% ao ano, você irá receber, se tiver depositado R$1.000, R$1.100 depois de um ano. Observe que nesse caso você conhece antecipadamente a porcentagem do CDI pelo qual o seu título será remunerado, mas não conhece qual será o CDI durante o período do investimento. Quem aceita enfrentar algum risco para ter a oportunidade de obter uma rentabilidade um pouco maior deve optar pelos CDB pós-fixados.

CDI significa Certificado de Depósito Interbancário. Ele é a taxa básica pelo qual os bancos emprestam dinheiro entre si. Esse valor é atualizado diariamente e pode ser consultado no site da CETIP onde está escrito “taxa DI”.

No momento em que escrevo este artigo a taxa DI está em 13,13% ao ano. Dessa forma, se o seu banco lhe oferecer um CDB com 100% do CDI, você receberá uma remuneração de 100% de 13,13%, ou seja, receberá exatamente 13,13%; se o banco lhe oferecer 90% do CDI, a sua remuneração será de 11,97% (90% de 13,13%), e assim por diante.

Riscos do CDB

Pode-se dizer que os riscos de investir em CDB são muito baixos. Isso porque caso o banco não conseguia honrar o compromisso assumido com você, como quando o banco falir, por exemplo, o seu investimento está protegido pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Esse fundo irá reembolsar todo o dinheiro que você tinha aplicado até um limite de R$ 250.000,00. Ou seja, se você investir até 250 mil não há com o que se preocupar, porém se você investir um valor superior a este você corre o risco de perder a diferença caso o banco não consiga lhe devolver o dinheiro. Uma curiosidade é que esse é o mesmo fundo que protege a Poupança, logo, o CDB é tão seguro quanto a Poupança.

Agora que você já sabe que não é nada arriscado investir em CDB vamos dar uma olhada em como investir na prática.

Como Investir em CDB

Como Investir no CDB

O primeiro passo para investir em CDB é ter uma conta corrente em um banco. É provável que você já tenha conta em algum banco, porém é possível que ele não ofereça as melhores taxas. Por isso pesquise em vários bancos qual deles pode lhe oferecer a taxa mais alta.

Geralmente quando maior for o valor do seu investimento e maior será a taxa pelo banco. Existem inclusive alguns bancos que oferecem taxas maiores do que o CDI, como 105% e até 110% do CDI. A dica é procurar bancos menores, pois eles costumam oferecer taxas do CDI maiores. Apesar do risco de investir nesses bancos ser maior, lembre-se que você está protegido pelo FGC até o limite de R$ 250.000,00, portanto, não há riscos se você manter o investimento abaixo desse valor.

O valor mínimo varia de uma instituição para a outra, mas em geral é possível investir a partir de R$100. Porém os CDBs com taxas maiores podem exigir um investimento mínimo maior de R$1000 ou até R$5000.

Outra opção é investir através de uma corretora de valores, que servirá de intermediária entre os bancos e você. A vantagem das corretoras é que elas têm várias opções de CDB disponíveis e tem poder de barganha com os grandes bancos para oferecem taxas de juros mais altas.

Algo muito importante, e que você precisa estar ciente é que, diferentemente da Poupança, no CDB você não pode resgatar o dinheiro quando quiser. O CDB tem uma data de vencimento em que você receberá o seu dinheiro de volta acrescido dos juros. Existe uma infinidade de datas de vencimento para você escolher: 3 meses, 6 meses, 1 ano, 2 anos, 5 anos, etc. Geralmente quanto maior for o prazo do seu investimento, maior será a taxa de juros oferecida.

Existem também alguns CDBs que permitem a venda antecipada, com liquidez diária. Porém nesse caso os CDBs tendem a ter uma rentabilidade (em porcentagem do CDI), menor do que os CDBs que não podem ser vendido a qualquer momento.

O investimento em CDB também está sujeito ao pagamento de imposto de renda, conforme falarei no próximo tópico.

Impostos do CDB

Ao contrário da Poupança, no investimento em CDB é preciso pagar o imposto de renda. O imposto é pago somente no vencimento do título e incide apenas sobre os rendimentos do mesmo, e não sobre o valor total aplicado. Existem dois tipos de impostos que podem ser cobrados: o IOF e o Imposto de Renda.

IOF: O Imposto sobre Operações Financeiras é um imposto que é cobrado apenas no caso de você vender o seu título antes de 29 dias. A cobrança é feita utilizando a seguinte tabela:

Tabela do IOF no Tesouro Direto

Para não pagar esse imposto basta que você não resgate a sua aplicação nos primeiros 29 dias. Se você pretende manter o investimento por menos de um mês poupe o seu tempo e dinheiro e deixe-o na Poupança.

Imposto de Renda: O Imposto de Renda é cobrado utilizando uma tabela regressiva. Veja a tabela a seguir:

Tabela do Imposto de Renda no Tesouro Direto

Observe que quanto maior o prazo do investimento menor é a alíquota do imposto de renda. Assim, o ideal é ficar com o título por pelo menos dois anos para pagar a alíquota mínima de 15%. Sempre confira essa tabela antes de fazer uma venda antecipada. Se você tiver feito a aplicação há 170 dias, por exemplo, bastaria aguardar mais 11 dias e pagar uma alíquota menor.

Conclusão

O CDB é sem dúvidas uma ótima alternativa de investimento à Poupança. Além de ser um investimento conservador ele possui baixo risco e proporciona a comodidade de resgatar o investimento a qualquer momento, se for um CDB de liquidez diária. Mas antes de investir nele recomendo que você compare a rentabilidade que o seu banco oferece com algumas outras opções de investimento em renda fixa, especialmente o Tesouro Direto.

Espero que esse artigo tenha sido útil e desejo, de verdade, que você deixe um comentário para que eu possa publicar ainda mais conteúdo de qualidade, como esse. Se você tiver também qualquer dúvida não de me perguntar, estou à sua disposição para respondê-la.

(crédito das imagens: shutterstock.com)