Como Fazer o Rebalanceamento dos Investimentos

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A maioria das pessoas acredita erroneamente que se escolher o investimento certo obterá sucesso. Outros acreditam que terão sucesso ao acertarem o momento de comprar e vender os ativos. A verdade é que a parte mais importante do investimento é a sua alocação de ativosUma alocação de ativos é simplesmente um plano de investimento para uma situação específica, é uma estratégia que proporciona retornos garantidos, principalmente no longo prazo. A alocação de ativos pode ser definida como uma lista de tipos de investimento (ou até mesmo investimentos específicos), juntamente com uma porcentagem de quanto dinheiro deve ser alocado em cada tipo de investimento.

Uma das pedras angulares da alocação de ativos é o conceito de rebalanceamento.  O que ocorre é que ao longo do tempo, as classes de ativos da carteira produzem diferentes retornos, provocando consequentemente mudanças na participação de cada ativo na carteira. Portanto, para recuperar as características de risco-retorno originais da carteira ela deve ser rebalanceada, de forma que a alocação de ativos volte para o seu patamar inicial. Realizado de forma correta, o rebalanceamento permite comprar certos investimentos quando eles estão subvalorizados (baratos) e vendê-los quando eles estão sobrevalorizados (caros). O rebalanceamento é, sem dúvida, um dos grandes segredos para ter um investimento de sucesso.

Como Funciona o Rebalanceamento

Como Funciona o Rebalanceamento

Para que você entenda melhor como funciona o rebalanceamento vamos supor que um investidor tenha escolhido a seguinte alocação de ativos para sua carteira:

  • 50% em Ações
  • 30% em Tesouro Direto
  • 20% em Fundos Imobiliários

Esse investidor destinou uma parte sua renda mensal – R$1000 – para cada um desses investimentos seguindo a porcentagem determinada para cada um deles. Ou seja, a cada mês ele comprou R$500 em ações, R$300 em Tesouro Direto e R$250 em Fundos Imobiliários. Ao final de um ano seus investimentos estavam assim:

R$ 7500 (ou 54%) em Ações Retorno de +25%
R$ 2460 (ou 18%) em Fundos Imobiliários Retorno -18%
R$ 3888 (ou 28%) em Tesouro Direto Retorno de +8%

Então, o que aconteceu? Durante o ano as Ações os títulos do Tesouro Direto tiveram um ótimo rendimento, porém os Fundos Imobiliários tiveram um retorno negativo. O problema é que alocação de ativos está diferente do planejado.

As ações saltaram de 50% para 54% dos investimentos, o Tesouro Direto foi de 30% para 28% e os Fundos Imobiliários foram de 20% para 18%. A situação é de maior risco do que antes, pois o investidor tem agora 54% do seu dinheiro em renda variável, quando o planejado era ter apenas 50%. Isso é ruim, pois o plano foi idealizado para manter o risco disperso em um grupo de diferentes investimentos. Isso precisa ser corrigido e esta é a hora de rebalancear a carteira. É preciso tirar o dinheiro dos investimentos que tem um percentual mais do alto do que o desejado e movê-lo para investimentos que são mais baixos do que o percentual desejado. Utilizaremos o total dos ativos, que é R$13848, para descobrir quanto deve haver em cada classe de ativos.

Em Ações deve haver 50% de R$13848, ou R$6924
No Tesouro Direto deve haver 30% de R$13848, ou R$4154
Nos Fundos Imobiliários deve haver 20% de R$13848, ou R$2769

A seguir, basta tirar o dinheiro dos investimentos que são demasiadamente elevados e passar esse dinheiro para os investimentos que são mais baixos. Isso que é rebalanceamento!

Quando RebalancearQuando Rebalancear

O rebalanceamento da carteira pode ser realizado de forma periódica ou quanto houver um determinado desvio percentual. Há ainda uma terceira alternativa, que é uma combinação das duas primeiras.

Estratégia Periódica

Na estratégia periódica a carteira é rebalanceada a cada semana, mês, trimestre ou ano, e assim por diante, independentemente de quanto a alocação de ativos da carteira se afastou de seu alvo. Como o nome da estratégia implica a única variável levado em consideração é o tempo. Determinar a frequência com que a rebalancear a carteira depende de tolerância ao risco do investidor, a correlação dos ativos da carteira, e os custos envolvidos no rebalanceamento.

Estratégia de Desvio Percentual

A segunda estratégia, de desvio percentual, ignora o aspecto de tempo no rebalanceamento. Os investidores que seguem esta estratégia rebalanceiam a carteira somente quando a alocação de ativos se afastou da alocação de ativos-alvo por um desvio percentual mínimo predeterminado, como 1%, 5% ou 10%. Ele pode ocorrer em 1 semana, em 1 ano ou até mesmo nunca ocorrer.  Vamos supor que um investidor tenha definido um desvio percentual de 10% e tenha 30% dos seus ativos alocados em fundos imobiliários. Esse investidor só irá rebalancear a carteira caso esse ativo atingiram um limite mínimo (20%) ou um limite máximo (40%) na alocação de ativos da sua carteira.

Estratégia Periódica e de Desvio Percentual

A estratégia final apela para o rebalanceamento da carteira em uma base periódica (por exemplo, mensal, trimestral ou anual), mas somente se a alocação de ativos da carteira se afastou de sua alocação de ativos alvo por um desvio percentual mínimo predeterminado tais como 1%, 5%, ou 10%. Em outras palavras, essa estratégia é a combinação das duas estratégias anteriores. Nesse caso se na data de rebalanceamento programado o desvio da alocação de ativos alvo da carteira for inferior ao limite pré-determinado, a carteira não será rebalanceada. Da mesma forma, se a alocação de ativos da carteira está superior ou inferior ao limite mínimo em qualquer intervalo de tempo intermediário entre as datas de rebalanceamento, a carteira não será rebalanceada naquele momento.

Conclusão

Muitos podem questionar se diminuir os ativos que tiveram um crescimento maior e aumentar os que tiveram um crescimento menor não é a mesma coisa que podar as plantas boas e regar as ruins. A alocação de ativos pressupõe que o mercado é cíclico, de modo que ao retirar-se parcelas de recursos de um investimento bem sucedido para alocar em um mal sucedido, espera-se que uma hora essa situação se inverterá.

O rebalanceamento pode parecer um trabalho chato e entediante de se fazer, mas é essencial para que o risco permaneça controlado, principalmente nas estratégias de investimento passivo, em que não há alta rotatividade nos ativos da carteira de investimentos.

(crédito das imagens: shutterstock.com)